{Querido Professor!} Cap 4 ─ Uma curta conversa


Nota do autor: Como já disse e vou repetir sempre, tive que alterar algumas coisas. Não se preocupe, o rumo da estória não irá ser mudado, somente a ortografia e principalmente algumas insinuações. Boa leitura!


    O meu relógio de pulso, marcavam 20:29hs. Meus pés batiam ao chão impacientemente num movimento automático pelo atrasado não só de um, mas de todos os alunos estava me matando. Sei que nem todos são robôs para vir automaticamente 20:00hs em ponto, mas sempre fui muito pontual e acho que minha mania voltado a tempo e à tudo feito da forma correta me faz querer que todos façam o mesmo. Com esses 29 minutos de atrasado acabo ocupando o tempo com livros que até chateei-me de ler as entrelinhas do prólogo. Abro um sketchbook qualquer que usava para anotar recados e datas de reuniões não tão importantes e, apenas apoio a ponta da caneta sobre o papel.

    ─20:35hs ─ resmungo olhando mais uma vez para o relógio.

    O meu "apoiar" da caneta no papel acabou virando um desenho sem nexo e nomes rabiscados. Agora sei o motivo das meninas terem seus cadernos rabiscados sempre que os pego para corrigir individualmente. O nome de Anny estava exposto bem no meio com uma letra em itálico, que logo vai ficando em negrito de tanto que passo a caneta preta sobre o nome. Minha mão estava manchada com a tinta e percebi estar bem animado para terminar minha obra de arte com o nome da menina que não saía de minha cabeça. 

    ─FALA, PROFESSOR! ─ Arnold entra de surpresa acompanhado de Paul e Katharina fazendo-me dar um grito silencioso, logo em seguida, algumas canetas que estavam próximas caírem ao chão.

    ─Porra! ─ resmungo cobrindo o caderno que eu rabiscava. ─ Olá, para você também, Arnold. Só veio vocês três?

    ─Não. Marcus foi ao banheiro e Anny está vindo logo atrás.  Respondeu sentando-se me uma das carteiras junto com os outros. No mesmo instante, Anny adentra a sala, iluminando meus olhos com sua roupa diferente do usual. Estava sempre acostumado a vê-la com o uniforme e liberalmente veio com um vestido florido, tão simples que não me dera seus pais terem posse de dinheiro.

    ─Como está, Anny? ─ pergunto me levantando.

    ─Bem! ─ ela diz estranhando a pergunta boba minha.

    ─Ótimo...

    ─Estou na sala certa? ─ Marcus diz pondo a cabeça para dentro e observando o movimento.

    ─Entre logo, Marcus. Começaremos a reunião. ─ Marcus sai dando pulinhos até o centro da sala onde resolvi juntar carteiras, transformando-as em uma única, ─ Eu devo admitir que nunca organizei uma reunião para... Feiras de ciências. Na verdade eu nem sei o que falar!

    ─Então, por que programou uma? ─ Katharina alarmou tendo sua mania insaciável de mexer no cabelo sedoso. A bela menina robusta, nunca se deixou abater quando se tratava de andar sempre bem vestida e maquiada. Isso a tornava elegantemente desejável.

    ─Não foi ideia minha fazer uma reunião, mas espero que me ajudem com isso. Se possível! ─ falo após todos estrem confortavelmente sentados.

    ─Okay! Qual nosso assunto então? ─ o entusiasmado Paul perguntou.

    ─Feira de ciências, idiota! ─ Arnold respondeu em questão óbvia.

    ─Tá, mas começaremos por onde? Pela decoração, regras, objetivo? ─ novamente Paul.

    ─Que tal nós começarmos não fazendo essa porcaria de feira? Sei lá, conseguimos sobreviver os anos anteriores sem isso, não vai fazer muita diferença. ─ Marcus resmungou com a cabeça tombada para trás.

    ─Eu adoraria realizar esse desejo e sei que todos aqui também, mas não sei se a diretora concordaria em fazermos outro evento; ou ao menos, cancelar esta ocasião.─ Finalmente digo após observar todos debatendo.

    ─Mas seria uma maravilha se não tivéssemos essa feira chata. ─ Katharina também resmungou, ─ Poderíamos pelo menos fazer uma feira diferente das outras.

    ─Por exemplo?! ─ digo interessado na ideia.

    ─Não sei, uma feira diferente... Algo interessante que não fosse o típico, que não envolvesse experiências malucas! Nem todos tem interesse em ciências literalmente.

    ─Poderia dar uma ideia, Anny? ─ pergunto por impulso para pequena que até agora não citou uma palavra se quer além de observar os outro quieta em seu canto. Todos a olharam fazendo-a ficar vermelha como um camarão.

    ─Arhg... Podíamos organizar uma feira de exposições livres?! ─ disse cutucando a unha.

    ─Como assim! ─ sorrio bobamente, não sei o motivo do sorriso. Acho que era a primeira vez que Anny dizia uma frase completa, e suas palavras soavam tão bem roucamente.

    ─Os alunos podem expor obras, experiências... Enfim, feitos que eles achem que poderia mudar o mundo da tecnologia, moda ou politica! ─ ela falava calmamente com a típica cabeça baixa.

    ─Isso é ótimo, assim todos alunos terão o gosto de participar!

    ─Quem diria Anny Willians, me surpreendendo mais uma vez. Talvez um dia você me surpreenda com outros afazeres. ─ Marcus diz observando Anny que no qual sentava logo ao seu lado.

    De tal modo eu não conseguia suportar as depravações desse garoto sobre a menina, toda palavra que ele dizia a ela eram sujas ou com alguma intensão desnecessária. E minha vontade de lhe dar tapas na frente de todos ficava cada vez maior. Mas o que posso fazer? Eles têm a mesma idade, o mesmo gosto juvenil... Ele pode e eu não. Se Marcus abraçasse Anny e lhe depositasse um beijo impuro agora, ninguém diria nada; mas se fosse meu caso, iriam correndo a chamar Sra. Sarah ou até mesmo a policia. Não podia fazer nada além de observar! 

    O garoto de quase dois metros de altura começa a enrolar os cabelos escuros de Anny com os dedos de sua mão direita enquanto Paul dizia algumas coisas sem relevância pra mim no momento. Parecia um cavalo concentrado na pista da frente, não via nada além daquela cena. A Pequena Willians ainda cutucava as unhas e mexia nos óculos, estava nervosa pelo garoto que a tocava despreocupado. Um nervosismo diferente do normal, digamos que ela tentava evitar o máximo que ele mexesse em seu cabelo. Afastava sua mão discretamente, mas ele voltava novamente, dizia para parar, mas ele voltava com a atitude despreocupada, um tanto quanto distraída. 

    ─NÃO GOSTO QUE TOQUEM NO MEU CABELO! ─ Ela grita se levantando, fazendo todos nós olharmos para ela. Anny vê a atenção que causou e rapidamente retirou-se da sala.

    ─O que deu nela? ─ Marcus disse paralisado.

    ─Continuem com o debate, eu vou ver se ela está bem! ─ digo após me retirar.

    Olhei para o corredor deserto iluminado pelas lâmpadas fracas. Uma parte do corredor (especificamente o lado direito) dava direto para o jardim onde se dividia por pequenos muros de tijolos, estava escuro e não podia ver nada. Caminho até o final para ver se dali dava para avistar a menina. Nada! Vou para o jardim e a parte exterior... Nada! Caminho para todas as salas e direções próximas e nada. Quando me dou por vencido já são 21:02hs ao olhar no relógio. 

    ─Onde você se meteu, pequena? ─ cochicho para mim mesmo apoiando as mãos na cintura.

    ─Professor, será que podíamos ir embora? Já está tarde. ─ Katharina diz vindo acompanhada de todos.

    ─Ah, claro! Desculpem-me estender isso. Deixemos isso para outro dia, crianças! ─ respondo me virando para eles.

    ─Não encontrou Anny? ─ Arnold perguntou preocupado.

    ─Ela simplesmente desapareceu. Deve ter ido embora. ─ digo.

    ─Ela nunca foi assim, é a primeira vez que eu a vejo histérica. ─ Marcus fala com sentimento de culpa, ─ Seja lá o que lhe deu, eu não tive intenção.

    ─Já faz um tempo que ela tem essa "regra". ─ Katharina justificou.

    ─Como assim? ─ pergunto curioso.

    ─Ninguém pode tocar nos cabelos de ouro dela. Idiotice, só porque seu cabelo é naturalmente liso e sedoso?! ─ ela ironiza.

    ─Deve ter outro motivo. ─ Marcus cochichou já se saindo da área.

    ─Já está tarde... Eu vou indo! ─ Arnold diz saindo com Paul. Katharina logo se despede assim como Marcus.

    Volto para a sala, pego minhas coisas e tranco a porta. Caminho até o estacionamento e ligo meu carro dando partida. Passo pela entrada de segurança para ir embora, onde dois seguranças conversavam. 

    ─Bom noite, professor! ─ um deles diz educadamente.

    ─Boa noite, senhores! Será que não viram uma menina de cabelos soltos e óculos por aqui? ─ pergunto antes de sair.

    ─Não. Por quê? Alguma aluna sumiu? ─ o outro que estava na cabine aparentando um pouco mais velho pergunta preocupado.

    ─Não, é que achei que ela sairia por aqui. Mas deixe pra lá! ─ sorri e logo já estava na pista longa.

    A estrada que ligava o bairro à escola era escura, larga e deserta. Os automóveis que se arriscavam passar por ali à noite teriam de dirigir com cuidado e atenção pela falta de faróis e postes funcionais. Dirigia assim como o permitido, não passava de 60, com a janela aberta o vento gelado batia no meu rosto. Distraído, vejo uma menina andando na calçada encolhida e cabisbaixa...

    ─Anny?! ─ digo para mim mesmo ao notar quem era, ─ ANNY!

    Grito diminuindo cada vez a velocidade para acompanha-la. Ela ligeiramente olha para mim dentro do carro com os olhos quase fechados pela luz do farol. 

    ─O que faz andando por essa estrada sozinha? ─ digo parando e saindo do carro.

    ─Eu moro no bairro vizinho. ─ ela diz apontando para as luzes que iluminavam o lugar longe.

    ─E faz esse percurso perigoso todos os dias? ─ falo preocupado.

    ─Meus pais trabalham o dia todo, não tem como virem me buscar e não há ônibus escolar, então... ─ ela diz esfregando os braços de frio.

    ─Venha, eu te dou uma carona.

    ─Não precisa se preocupar, professor! ─ ela sorri tentando me convencer a deixa-la.

    ─Não seja imprudente. Acha que vou deixar você nessa estrada escura? Você tem duas opções: Ou escolhe o percurso longo, frio e perigoso da estrada. Ou escolhe meu carro rápido, quente e seguro!

    Ela me encara pensativa, espremendo fofamente seu nariz.

    ─Está bem, venceu. ─ ela sorri.

    Abro a porta para que ela pudesse entrar e, a mesma se senta no banco do passageiro. Dou a volta e me sento à frente do volante, em segundos estou na estrada dirigindo calmamente. Suas pequenas mãos ainda passavam lentamente pelos braços arrepiados, pouco havia me tocado que as janelas ainda se encontravam abertas e o vento gélido tomava o lugar.

    ─Ah, desculpe-me! Esqueci de fechar as janelas. ─ falo em meio a cara de taxo. Ligo o ar condicionado e fecho as janelas.

    ─Obrigada!

    ─Não há de quê. ─ volto a prestar atenção a estrada. ─ O que aconteceu na sala afinal?

    ─Nada... Só não gosto que puxem meu cabelo. ─ ela diz arrumando a touca de lã sobre o topo do cabelo longo.

    ─Marcus não estava puxando seu cabelo, estava? ─ pergunto, pois pelo que vi, ele apenas enrolava as madeixas delicadamente.

    ─Na verdade não... Mas sinto que ele é sensível ao toque, ou sei lá. Não gosto de sentir mãos em meus cabelos, sempre acabam brutalmente revigorando com seus dedos grossos e pesados. ─ ela diz acariciando os mesmo calmamente.

    ─Você nunca o cortou, não é mesmo? ─ pergunto animado pela conversa estar tomando rumo.

    ─E nem pintei! Para falar a verdade, nunca pus química neles. ─ ela sorriu cordialmente.

    ─São lindos! ─ falo sem olha-la... Por medo talvez. Ela não me responde.

    E agora o silêncio tomou conta do clima pacato que o carro trazia. Anny encostou a cabeça no vidro do carro observando a estrada ir ao supliciado escuro. Suas pernas juntas faziam novamente aquele cruzamento que eu amava apreciar, a aba de seu vestido florido estava se levantando aos poucos sem que ela percebesse. Minha mão boba deu-se a vontade de apalmar sua coxa, mas minha mão apenas abaixou seu vestido para evitar que ele subisse mais. Feito isso, Anny se espantou com minha atitude. 

    ─Bom, onde você mora? ─ pergunto tentando mudar de assunto.

    ─Virando a esquina logo a esquerda. ─ ela aponta para a rua gramada e logo viro a mesma.

    Acabamos parando numa bela casa enorme, todas as luzes estavam apagadas.

    ─Seus pais não estão em casa? ─ digo observando a casa sem luzes alguma.

    ─Como disse, meus pais trabalham muito! ─ ela diz saindo do carro. Bateu a porta docemente e a acompanho até a porta de entrada.

    ─Você não se incomoda de ficar sozinha numa casa enorme dessas?─ Ironizo e ela nega, põe a mão na maçaneta e paralisa. Vira-se para mim ainda parado com o carro e sorri.

    ─Obrigada, professor! ─ ela agrade-se e entra.

    ─De nada, Anny. ─ digo para mim mesmo. 

    Ao retornar ao carro, descanso minha cabeça no volante e tento guarda o aroma que a menina deixou dentro do carro. Um doce cheiro de coisa nova, não era seu perfume, era seu cheiro natural. O cheiro da puberdade a flor da pele, às vezes em descanso com o corpo juvenil, mas para Anny, teria mais um aroma acrescentado ali, naquele corpo. Naquela pele. Como ela poderia deixar seu cheiro provocativo ali? Se eu pudesse eu dormiria naquele carro para sempre.


< Capitulo anterior  .  Próximo Capítulo >



Comentários

  1. eu to tão feliz que tá postando aqui, eu ainda não RELI, mas vou reler logo, pena q não da pra add na lista de leitura kkk

    ResponderExcluir

Postar um comentário

COMENTE o que achou desta fanfic!
Tem algo a dizer? dúvidas? sugestões? fique a vontade ♥

 Chat